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ARTIGO: Educação não rende votos e é a mesma da intransigência

Escrito por: Professor Francisco Gutemberg - Geral - 04 de Setembro de 2017

EDUCAÇÃO NÃO RENDE VOTOS E É A MESMA DA INTRANSIGÊNCIA

Moro em Camaçari há 14 anos, e já passei por quatro diferentes prefeituras, das que se dizem (ou se diziam) de esquerda, as de direita e as de centro; mas sempre me ficou, ao final de cada mandato, a mesma frustação por não perceber a seriedade no trato com a Educação. E apontar falta de seriedade significa constatar que nenhuns dos prefeitos que já governaram Camaçari verdadeiramente colocaram a Educação como prioridade, naquilo que demonstrassem respeito à fé e ao sentimento de esperança do seu eleitor num futuro melhor. E disto, como crer em todo o mais que um prefeito sustente em seus discursos hipócritas de autovalorização se o crime capital de deixar à mingua a classe mais importante da sociedade (segundo a própria tradição popular) já estava em andamento no próprio projeto educacional? Senão, cadê a previsão de aumento de salários aos professores, classe tão sofrida e desprestigiada por TODOS?  

Senhores, a Educação é uma das atividades humanas de maior repercussão e interferência na constituição das nossas comunidades, seja pelo seu carácter colaborador na compreensão dos adventos sociais, seja pelo seu pressuposto de oferecer aos indivíduos as ferramentas mobilizadoras necessárias à sua inserção social; assim sendo, como práxis humana, ela, a educação de qualidade, se coloca ao lado da ação, da demanda, do movimento e do desejo individual de superação, interferindo, decisivamente, na forma das coisas, dos objetos e dos seres, rompendo a barreira da especulação e da teoria, haja vista seu carácter e premissa de utilidade pública e social. O problema é que oferecer uma "boa" educação não combina com a máxima dos projetos governamentais baseados e reféns das ambições dos partidos de se manterem no poder, sempre com os olhos projetados para à próxima eleição e na manutenção dos espaços políticos conquistados seja lá de qual forma tenha sido, ainda que pese a própria miséria do povo que os elegeu.

As escolas brasileiras, e as de Camaçari não fogem desta realidade, sofrem com o sucateamento, à criminalidade e ao enxovalho resultantes da ação de uma mesma engrenagem politico-gerencial-cultural que nunca aceitou e nem adotou em qualquer momento da nossa história  Políticas de Estado como sua premissa de governo. Compreender a função da Escola no nosso município é caminho obrigatório para o desenvolvimento de melhores condições sociais; e, disto, relacionar desenvolvimento socioeconômico e investimento em Educação é a fórmula mais inteligente para o florescimento futuro.

Pensar em Educação faz-nos lembrar de que as nações as quais hoje se destacam político e economicamente perceberam, bem mais cedo do que nós, o valor de um adequado investimento neste setor, e viram, como resultado, a melhoria das condições de vida do seu povo e o avanço de suas economias. Contudo, infelizmente, acreditar neste sonho implica em duvidar do próprio caráter de nossos políticos e, mais triste ainda, implica duvidar da nossa triste predisposição de, por exemplo, se preocupar muito mais com o fim da greve dos bancários ou dos rodoviários do que com o salário miserável dos professores, por exemplo. 

É interessante observarmos mais detidamente o papel de alguns atores durante os movimentos grevistas pelo país. Tomemos como exemplo a greve dos professores do estado de São Paulo (2015) e a atual greve dos professores de Camaçari. Tanto lá como aqui, tirando os diretamente envolvidos, o que se percebe é um descompromisso generalizado com os acontecimentos, as pessoas "ouvem falar" da greve, ficando uma expectativa despreocupada pelo fim do movimento, afinal existem o shopping, a praia,  a cerveja e o futebol, coisas bem mais importantes a se pensar. Em São Paulo, que tinha como governador o truculento Geraldo Alckmin, o qual se utilizou da PM para uma violenta repressão aos professores, a imprensa comportou-se como defensora e forte aliada do governador no seu projeto de desmoralização do movimento grevista. Aqui em Camaçari, a mesma sorte não teve o prefeito, haja vista o considerável apoio que quase todos os canais midiáticos locais deram à causa dos docentes.  O que espanta a quem lida com a Educação ou que entende do seu forte papel na evolução da sociedade é ausência de um apoio mais participativo de demais protagonistas sociais, a exemplo das associações de bairro, dos sindicatos, dos pais de alunos e dos poderes Legislativo e Judiciário, que tão pouco se envolvem com a causa e, quando o fazem, a exemplo deste último é em desfavor dos professores.  

A Prefeitura, numa queda de braço desigual e covarde, minou as forças dos professores camaçarienses, apelando para o desgaste do sindicato, retendo salários e ameaçando, conduzindo toda a classe docente a uma lamentável derrota que representa, na verdade, a derrota de todos nós, numa postura típica de governos autoritários e equivocados  que não reconhecem os apelos da comunidade, numa perigosa e irresponsável mistura de prepotência e a arrogância de quem jamais apostou no futuro do seu povo.

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