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Historiador narra que nome de Jauá não origina de papagaio e sim de onça pintada

Escrito por: Autor Manual - Geral - 11 de Setembro de 2018

A etimologia da palavra e representação do topônimo Jauá

A localidade denominada de Jauá, situada no distrito de Vila de Abrantes, região oceânica de Camaçari, famosa pelas suas praias e ecossistema, com destaque para  suas  dunas de areias brancas vistas de longe  por navegadores, remete seu nome, até onde se sabe,  a espécie de papagaio que virou seu símbolo a partir dos anos de 1990, com a  instalação da belíssima escultura do artista baiano Tati Moreno.

Instalada no meio da lagoa próxima ao acesso à praia principal da localidade, seu nome teria origem na espécie do papagaio Chauá, que tem por nome científico Amazona Rhodocorytha.

Mas, estudos  para o livro "Do Joanes ao Jacuípe, uma história de muitas querelas tensões e disputas locais," em processo de edição, onde reposiciono inclusive  o ano de 1558 como de fundação do município hoje  denominado Camaçari, encontrei referências que indicam  ser o nome Jauá  de origem de outro animal.

De acordo com o historiador  Theodoro Sampaio, a palavra Jauá é de origem Tupi Guarani, e se trata da contração da palavra Yauar, que é o mesmo que Jaguá, que por sua vez é corruptela do vocábulo Ya-guara, significando aquele que devora ou dilacera que também é grafado como Jaguar. Da mesma maneira que o termo Jaguaretê é composto de yaguar-etê, que quer dizer a onça verdadeira.

Contribuindo com nossa analise, Gabriel Soares de Souza, acrescenta uma interessante narrativa a respeito do Jaguaretê. Afirmando que os portugueses acreditavam que o jaguaretê fosse onça, e que os outros europeus acreditavam que fosse tigre. Acrescentando que estes animais eram ruivos, cheios de pintas pretas, e algumas fêmeas eram todas pretas e todos eles tinham o cabelo nédio. Destacando que se matando um filhote do jaguaretê, estes felinos ficavam muito bravos e entravam nas roças dos índios, onde matavam todos quantos pudessem alcançar, acrescentando que os índios armavam arapucas a estes animais em mundéus que era uma espécie de tapagem de pau a pique, muito alta e forte com uma só porta, onde prendiam em uma árvore alta, colocando um animal preso de isca e quando o jaguaretê estivesse preso na armadilha os índios o matavam com flechadas e comiam a sua carne.

A respeito do estudo da etimologia dos nomes tupis na geografia do Brasil, Theodoro Sampaio acreditava que este seria mais um trabalho de investigação histórica do que de lexicologia. Revelando que o estudo mais apropriado neste sentido seria o da identificação histórica do vocábulo ou da restauração de sua grafia primitiva, através da descoberta de documentos que fossem os mais antigos possíveis relacionados ao topônimo investigado.

Sobre o predomínio da língua tupi nas denominações geográficas, Sampaio, declara:  

Mas essas denominações geographicas, explicaveis e naturalissimas numa época em que o tupi era a lingua geral, ou mais falada no paiz, são agora para as modernas gerações verdadeiros enigmas que as alterações quotidanas ou as inevitaveis corruptelas vão tornando indecifraveis.  Portanto, preservar-lhes a graphia verdadeira, e a verdadeira pronuncia, fixar-lhes o significado, interpretado através do veo obscuro dos metaplasmas, vale tanto como resguardar um monumento histórico. (SAMPAIO, 1901, p. 3 e 4).

Em 1758, quando ocorreram querelas a respeito da demarcação das terras, da recém instalada Vila Nova de Abrantes do Espírito Santo, houve muitas controvérsias a respeito das terras entre o Morro do Grilo  e o Rio das Capivaras localizadas na região da Fazenda Areias, que deu origem ao pequeno vilarejo de pescadores denominado de Jaguá, os documentos que tratam dessas controvérsias são as mais antigas fontes documentais e vestígios referente ao nome da povoação e da Estrada do Jaguá. Dessa maneira, estamos diante de testemunhos lingüísticos e históricos que apontam que o Jaguá está totalmente inserindo nesse contexto histórico, não como o papagaio Chauá, mas, como o felino vulgarmente conhecido como onça pintada, que em razão da similaridade dos nomes, o Chauá passou a ser apelidado de Jauá, causando um grande equívoco que extravasa do campo lingüístico para o campo da historiografia revelando a riqueza e complexidade da representação dos topônimos de origem indígena na geografia do Brasil.

Mas, o Chauá, que também é conhecido como Jauá, não é um papagaio nativo da região. Em busca de mais informações a respeito da procedência deste pássaro, nos debruçamos na obra do professor ornitólogo Hermann Friedrich, que vem a corroborar com nosso estudo quando afirma que a distribuição geográfica do Jauá, se dá nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Estas fontes apenas reforçam os indícios de que o Chauá não é uma ave nativa do Litoral Norte da Bahia.
 

Diego de Jesus Copque é professor, historiador, autor do livro em fase de edição "Do Joanes ao Jacuípe, uma história de muitas querelas tensões e disputas locais", pesquisador da história de Camaçari desde 2001.

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