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Polícia abre inquérito para omissão de socorro a menina morta por escorpião

Escrito por: G1 - Geral - 11 de Julho de 2018

 

Yasmin Lemos Campos, de 4 anos, morreu após ser picada por um escorpião no quintal de casa em Cabrália Paulista (Foto: Arquivo

pessoal)

Polícia Civil de Duartina (SP) abriu inquérito para investigar a suspeita de omissão de socorro no atendimento da menina Yasmin Lemos Campos, de 4 anos, que morreu depois de ser picada por um escorpião no quintal de casa.

De acordo com o delegado Paulo Calil, titular da delegacia da cidade, será investigada a conduta do provedor do Hospital Santa Luzia e do médico que atendeu a menina.

Yasmin foi socorrida pela mãe após ser picada em Cabrália Paulista no final da manhã de terça-feira, por volta das 11h. A menina foi levada ao posto de saúde e, depois, seguiu ao hospital de Duartina, que fica a cerca de 10 km de distância, em uma ambulância municipal.


Entretanto, como no hospital não havia soro para combater o veneno, Yasmin precisou transferida a uma Unidade de Pronto Atendimento de Bauru, onde morreu. Conforme a UPA, a menina havia conseguido uma vaga no Hospital Estadual, mas por conta da gravidade do caso não foi possível fazer uma nova transferência.

Morre menina picada por escorpião no quintal de casa em Cabrália Paulista

Para a mãe da menina, houve demora no atendimento. "Eu estava em Duartina e, ao invés da ambulância de lá levar a gente, ligaram para uma ambulância de Cabrália Paulista. Aí ela teve que sair de Cabrália, para ir a Duartina e só depois me trazer para Bauru", contou Letícia Lemos, antes da filha morrer.

O corpo de Yasmin foi enterrado na manhã desta quarta-feira (11) no Cemitério Municipal de Cabrália Paulista.


Atendimento


O prefeito de Cabrália Paulista, Zequinha Madrigal (PTB) nega que houve demora da ambulância para fazer a transferência para Bauru. Segundo os registros da prefeitura, a ambulância foi acionada pelo Hospital Santa Luzia de Duartina às 13h04 e às 13h13, o veículo já estava no local para fazer a transferência da menina.

Sobre o fato de ambulância ter levado a menina diretamente para Duartina, sendo que não havia soro no local, o prefeito alegou que o hospital é o atendimento mais próximo e referência para pacientes de Cabrália Paulista.

"A nossa unidade de referência é Duartina, por isso todos os casos nós mandamos para Duartina para lá ser feito o encaminhamento para as especialidades. Mas, agora nós estamos entrando em contato com Bauru para saber se podemos mandar diretamente para lá, sem a interferência de Duartina.


O prefeito também ressaltou que não sabe o porquê do Hospital Santa Luzia, de Duartina, não ter acionado o Samu, que é regionalizado e atende 18 cidades da região, entre elas Cabrália Paulista e Duartina. O serviço inclusive pode ser acionado por qualquer morador dessas cidades por meio do 192.

Ele alega também que o hospital demorou pra acionar a ambulância municipal de Cabrália Paulista, porque achou que a injeção de controle seria suficiente.

Já a direção do Hospital Santa Luzia, de Duartina, informou que existe um acordo com as prefeituras determinando que o paciente só pode ser transportado pela ambulância da cidade onde mora. E, por isso, a menina precisou esperar a volta do veículo de Cabrália Paulista para só depois ser levada a Bauru.

O prefeito de Duartina, Aderaldo Pereira de Souza Junior (PP), informou que, apesar do acordo, poderia disponibilizar a ambulância do município, mas que a decisão de chamar a de Cabrália Paulista foi do hospital.

Por outro lado, o provedor hospital, Valdir Medeiros Maximino, reafirmou que seguiu o protocolo assinado com as prefeituras, acionando a ambulância de Cabrália Paulista.

Ainda sobre o atendimento de Yasmim, o hospital de Duartina disse que menina foi atendida imediatamente e o médico avaliou que o estado de saúde dela era estável, já que enquanto ela esteve no local não apresentou parada e nem insuficiência respiratória.


Disse também que desde março deste ano, o hospital não recebe mais o soro antiescorpiônico e que a unidade de referência é Bauru, por isso eles fizeram o primeiro atendimento, estabilizaram a paciente e pediram a transferência para Bauru.

De acordo com a direção da UPA do Jardim Vista em Bauru, para onde Yasmin foi transferida, a criança deu entrada na unidade às 14 horas e dez minutos depois recebeu o soro. A UPA também informou que uma vaga em UTI foi disponibilizada no Hospital Estadual, mas por causa da gravidade do quadro de saúde, a criança não pôde ser transferida.

Yasmin teve duas paradas cardiorrespiratórias às 15h e 16h30 e os médicos tentaram reanimá-la, mas ela não resistiu e morreu no início da noite de terça-feira.

Distribuição do soro
Em nota, o Grupo de Vigilância Epidemiológica (GVE) de Bauru esclareceu que não há falta de soro antiescorpiônico na região. No entanto, na mesma nota, a Secretaria Estadual de Saúde afirma que envio de ampolas a São Paulo continua ocorrendo de forma irregular.

Segundo a pasta, a necessidade do estado é de 650 ampolas por mês, em média, mas o Ministério tem feito entrega parcial. Neste mês, por exemplo, foram recebidas 126 ampolas.

Afirma ainda que a aquisição e distribuição de soroantiescorpiônico é de responsabilidade do Ministério da Saúde. O Estado apenas redistribui para os municípios.

Dessa forma, a definição de locais estratégicos para disponibilização de soro contra animais peçonhentos segue política definida pelo órgão federal. A região de Bauru conta com quatro unidades estratégicas para aplicação do soro, localizadas nos municípios de Bauru, Jaú e Lins.

A nota diz ainda quer todos os município têm ciência dos locais de aplicação do soro, porém o GVE irá reforçar as orientações junto às prefeituras.

Em nota, o Ministério da Saúde esclarece que os soros antivenenos continuam sendo distribuídos conforme análise realizada pela Coordenação-Geral de Doenças Transmissíveis (CGDT).


Para essa distribuição é considerada a situação epidemiológica dos acidentes por animais peçonhentos em cada Unidade Federada, as ampolas utilizadas, bem como os estoques nacional e a demanda de cada estado, além do cronograma de entregas a serem realizadas pelos laboratórios produtores.

O Ministério da Saúde envia doses de vacinas e soros aos estados, que são responsáveis por fazer a distribuição aos respectivos municípios.

O Ministério da Saúde reforça a necessidade do cumprimento dos protocolos de prescrição, a ampla divulgação do uso racional dos soros e a alocação desses imunobiológicos de forma estratégica em áreas de maior risco de acidentes e óbitos.

A nota esclarece ainda que para evitar desabastecimento, é importante manter a rede de assistência devidamente preparada para possíveis situações emergenciais de transferências de pacientes e/ou remanejamento desses imunobiológicos de forma oportuna.

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