Artigo

Do World Trade Center a Durban: o novo mundo em chamas

Escrito por Edvaldo Jr. em 13 de Agosto de 2019
[Do World Trade Center a Durban: o novo mundo em chamas]

Setembro de 2001, sinalizava um novo momento da história do homem na terra, era início do novo século, e o mundo que deixa para traz a enorme “cortina de ferro” que o “dividia ao meio”, buscava agora a implementação e a consolidação de uma nova política global no plano econômico, social e político. Nesse sentido a conferência de Durban na África do sul seria o abre e fecha aspas dessa nova realidade global.

Pensada para ser o pontapé inicial das discussões sobre ampliação e garantias de direitos fundamentais, ao mesmo tempo que encerrára uma sequência de eventos produzidos pelas nações unidas, que carregava em seu gene de maneira geral, e guardada as devidas proporções as mesmas inquietudes que eram levantadas na cidade sul-africana e que de certa forma ocuparia um vasto espaço no campo da política nesse novo jogo mundial, porém, segundo o autor, a conferência se distingue dos eventos produzidos pelas nações unidas (ONU), no final do último século em alguns aspectos. Contudo, diferentemente das congêneres no final do século XX, sobre o meio ambiente, os direitos humanos em geral, a população e os direitos da mulher, a primeira conferência do século XXI, inaugurada em 31 de agosto, quase não teve nem mesmo uma sessão de encerramento. Marcada para terminar na tarde de 7 de setembro, seu desfecho protelado ocorreu depois do tempo previsto para sua duração, na tarde do dia 8. E, para ter resultado confirmado pela assembleia Geral da ONU, ainda assim sem consenso, com dois votos contrários e duas abstenções - foi preciso que a sessão ordinária de 2001 convocasse a assembleia em período extra-regulamentar.

De certa forma algum otimismo tomava conta dos conferencistas em Durban, o fim dos trabalhos por mais dificultoso que possa ter sido era a consolidação do dever cumprido, não só isso, era a indicação material que a política global poderia tá sinalizando para um outro caminho mais próximo dos valores e do desejar das sociedades de boa parte do globo. Porém as bombas do world trade center, produzia um sentimento de realidade à medida que ia se despaginando as problemáticas enfrentadas no encontro mundial, que o colocou de alguma maneira muito próximo dos aviões jogados na ilha de Manhattan, o que produziu constantes críticas sobre o evento e de certa forma contribuiu para que esse não conseguisse obter um importante resultado capaz de consolidar de forma concreta uma nova política para os componentes o qual se dedicou a debater. O autor fala de um evento que não terminou e que ainda precisa de seu desfecho. Parodiando a imagem de Zuenir ventura para o ano de 1968, a conferência de Durban contra o racismo, em 2001, foi “uma conferência que não terminou”. Na verdade, tendo em conta que toda reunião sobre o assunto da esfera social estabelece parâmetros para esforços de longa duração – e que estamos mais para a longue durée de Braudel do que para longo prazo de retorno de alguns investimentos econômicos -, é possível dizer, sem erro, que nenhuma conferência desse tipo efetivamente acaba. É por isso que as conferências prevêem outros encontros, destinados a avaliar sua implementação. Nesse sentido após 18 anos do conclave mundial em Durban é necessário se pensar um novo momento em que a comunidade mundial possa repensar a política, e reavaliar os resultados do encontro sul-africano afim de apontar novos caminhos para essa que parece ser uma demanda diária e que se transforma a todo instante. 

Edvaldo Jr. é Professor Historiador pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), pós-graduando em Direito Público Municipal pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL).

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